17 de abril de 2010

Um dos meus favoritos

Cheguei da universidade na noite passada, devia ser umas 23:40 h, mas como estou envolvida com o evento no Rio, resolvi ficar acordada para adiantar algumas coisas da produção.
Sempre que fico até tarde acordada, ligo a TV apenas para passar o tempo, só que esta noite tive a agradável surpresa, uma das emissoras começou a transmitir um dos meus filmes gastronômicos prediletos, “Simplesmente Martha” (Bella Martha ou Mostly Martha – direção Sandra Nettelbeck), adoroooo!
Um filme alemão de 2001, que conta a história de uma grande chef, egocêntrica e obsecada pela profissão, chamada Martha (Martina Gedeck), que não faz mais nada de sua vida a não ser comandar a cozinha de um badalado restaurante alemão. Uma mulher que não expressa muito bem seus sentimentos e que de repente perde a irmã e se vê obrigada a cuidar de sua sobrinha, Lina (Maximine Foerste), uma garota pré-adolescente e ao mesmo tempo que tem sua cozinha invadida por Mário (Sergio Castellitto), um chef italiano, afetuoso, descontraído e encantado por ela.

No início os dois tem muitos conflitos, mas no final se apaixonam e acabam juntos. A princípio um romance como outro qualquer, mas para quem gosta de gastronomia, ele é rico em detalhes e mostra bem como é a rotina de um restaurante badalado, o convívio dos funcionários,o processo de criação, a pressão, as desavenças e todo o universo de uma cozinha em pleno funcionamento.

Recentemente “Simplesmente Martha” ganhou uma versão mais moderna e americanizada, apesar de ser uma versão Australiana, estralado por Catherine Zeta-jones, Aaron Eckhart e Abigail Breslin (a famosa “Pequena miss Sunshine”), chamdo “Sem Reservas”.
Uma versão leve e divertida, mas que na verdade a bela Catherine acaba roubando algumas cenas devido a sua beleza estonteante.

Gosto dos dois, mas “Simplesmente Martha” ganha por mostrar a cozinha como primeiro plano, acho que isso acontece por ser um filme Europeu, e eles como bons entendedores culinários, sabem que em torno da comida tem muita magia e que ela é um grande elo para relacionamentos.

Viva La tradizione!

11 de abril de 2010

Dodoí

Na sexta-feira passada cheguei ao aeroporto do Galeão (Rio), bem cedo pois consegui uma carona com minha amiga Patty. E lá fiquei fazendo hora para embarcar de volta para Natal.

Conforme a hora ia passando, eu sentia que meu corpo estava ficando mole e o mal estar começava a tomar conta do meu ser. Quando entrei no avião é que vi que realmente esta doente, o ar condicionado congelante, me fez ficar com a respiração congestionada, o ouvido começou a doer, enfiim, uma viagem péssima. Não consegui dormir e quando desembarquei o choque termíco do clima de Natal, foi crucial para me derrubar.

Dito e feito, estou de cama desde sexta à noite, muito gripada. Acho que foi a mudança brusca de temperatura do Rio, de dia bem quente e a noite muita chuva e o início da friagem. Nunca tive muita resistência para as mudanças radicais do clima.

Estou a base de chá de alho com gengibre, vitamina C, e vários outros auxíliares. Até amanhã, espero ficar bem, já que justo nesta semana nós começaremos a ter aulas nos laboratórios da universidade e se eu continuar gripada não poderei participar.

Se vc souber um remédio, simpatia ou coisa do genero me avisa, estou tentando tudo. Preciso ficar bem, não aguento mais ficar deitada.

Atchin! boa noite! 

Histórias que rolam no bar

Só para esclarecer uma coisa, neste blog não escreverei apenas sobre comida, mas tudo que me der vontade, será um reflexo do que acontece comigo ou o que já aconteceu, coisas do meu cotidiano.

Nestes dias que fiquei no Rio não pude encontrar com os meus amigos mais antigos, tive contato apenas com meus amigos de trabalho. Mas tive momentos muito legais apesar de todo estresse e cansaço de produção.

No dia que o evento foi adiado a sensação de alívio misturada com tensão, foi muito grande, então como estávamos todos de mãos atadas sem saber muito o que iria acontecer, resolvemos nos juntar e sair pra tomar uns chopinhos, aliás cheguei no Rio desejando tomar um chop bem gelado, melhor coisa que fizemos, foi uma noite ótima, muito divertida, muitas risadas, nada melhor para espairecer dos dias tensos de produção.

Durante a noite, descobri que a nossa patroa, também havia sido produtora de alguns artistas e que ela tem a mesma sensação que tenho sobre a vida na estrada. Sentimos saudades de viver viajando, mas não temos a menor saudade de conviver com os artistas. Ficamos horas conversando sobre coisas que acontecem ou aconteceram durante as andanças pelo país e pelo mundo. Coisas muito engraçadas e que na hora que aconteceram foram até constrangedoras.

Um produtor de artista passa por situações que ninguém merece, mas que ele atura porque tem uma verdadeira paixão pelo que faz.

Uma vez a patroa foi obrigada a dormir num motel porque na cidade não tinha hotel, e na hora que estava saindo para o show, ouviu na recepção alguém procurando por ela e era seu namorado, extremamente ciumento que havia rodado todas as cidades da redondeza atrás dela porque soube que ela estava hospedada num motel com o artistas, ela disse que ficou morrendo de vergonha.

Todo mundo sabe ou pelo menos imagina que o mundo do show business é movido a doideira (muita droga), mas nem todo mundo é usuário dela, e nem todo artista também usa. Já trabalhei com gente normal e gente louca. Mas por conta disto já passei por situações bem constrangedoras. Sem contar os inúmeros perrengues.

Já passei muitos perrengues nessa vida artística. Quando trabalhei com funk, os perrengues eram por pura falta de respeito ao artista, os contratantes achavam que funkeiro não era artista, e por isso tratavam de qualquer jeito. Já briguei muito por causa desse descaso, não gosto que falem mal do funk, afinal de contas foi ele que me levou pelo mundo a fora e cheguei até o Japão, conheci lugares que os próprios governantes não conhecem, tipo Novo Progresso, no interior do Pára, um lugar completamente esquecido no meio da floresta amazônica, onde o único acesso é a transamazônica, estrada que foi abandonada pelo governo e nunca teve sua construção concluída. Uma das piores viagens da minha vida.
Vamos a Novo Progresso, saímos do Rio as 17 hs de uma quinta-feira, chegamos em Belém as 00 hs e ficamos até as 7 hs da manhã de sexta no aeroporto sentados, esperando o vôo para Itaituba, também no Pára, aliás acho que eu fui a única produtora no mundo a ir a Itaituba 2 vezes em menos de 4 meses com dois artistas diferentes, deve ter sido carma, enfim, pegamos o avião, se é que podemos chamar aquilo de avião, quase um monomotor, dava um frio na barriga quando olhávamos pela janela e só víamos água e mato, fora turbulência, ui ui!


Quando chegamos a Itaituba, tive mais uma surpresa, eu havia solicitado um ônibus leito ou semi-leito, pois iríamos viajar 400 km e seria legal para podermos descansar, mas adivinha o transporte que tinha na porta do aeroporto, um microônibus daqueles que o banco não reclina, o pior que não tinha nem pra onde correr, pra quem eu iria reclamar? Entramos na porra do businho e fomos embora, mas para nossa surpresa, mais uma entra tantas, aliás podíamos chamar esta viagem de Kinder ovo, só surpresas, o contratante “esqueceu” de nos avisar que os 400 km seriam em uma estrada de terra abandonada pelo governo federal, a tal transamazônica que falei anteriormente, levamos 9 horas para chegar a tal cidade, Novo Progresso, que mais parecia a estrutura que foi montada para os operários da construção de Brasília, o Ô! Ficamos 2 horas parados na estrada esperando os motoristas de caminhão consertarem uma ponte de madeira que havia quebrado. Ao chegar na cidade, só tivemos tempo de tomar um banho pra tirar a terra do corpo e fomos pro local do show, o que foi a parte mais legal de tudo, pois apesar da precariedade, o show estava lotado e geral curtiu muito. Acabando o show passamos na pousada tomamos outro banho e voltamos os 400km sem descansar. Nós não conseguíamos nem olhar um para cara do outro de tão estressado que estávamos. Neste dia eu jurei que nunca mais iria a Itaituba e nem uma outra cidade quando o contratante fosse aquele. O rei das roubadas, o cara era até gente boa, mas poxa, um vacilão.

Acho que vcs começaram a entender porque resolvi mudar de profissão, sei que vou ter problemas numa cozinha também, mas acho que serão bem menos constrangedores.

E tem quem diga que a vida de um produtor é moleza.

8 de abril de 2010

No limite da exaustão e início da satisfação

Mais uma vez fiquei um tempão sem escrever. Estou fora de Natal a trabalho, no Rio de Janeiro, e por isso não estou tendo muito tempo para postar, o que também não faz muita diferença, afinal não sou de postar diariamente mesmo.

Então, vim pro Rio para trabalhar durante 10 dias num evento muito grande de música, dança, poesia, circo, teatro, cinema, ou seja, um mega evento cultural promovido pela prefeitura local, onde a previsão é de 54 horas direto de atrações, as apresentações acontecem simultaneamente, em vários lugares bem diferentes da cidade.

De acordo com a equipe técnica que coordena o evento, existe uma possibilidade deste evento entrar no Guiness book, pois até onde eu sei será o evento onde acontecerão muitas trocas de palco (mudança de um artista para outro) em um m tempo muito curto, mas pra isso as bandas tem que fazer sua parte.

O evento se chama, VIRADÃO CARIOCA, e posso falar por experiência própria, é realmente um Viradão, todos os envolvidos na produção não tem mais idéia do que é uma noite inteira de sono.

Um evento com palcos grandes, médios e pequenos. Artistas muito famosos e outros nem tanto. Apresentações para todo tipo de gosto, samba, rock, reggae, MPB, etc. Ah, é um evento com entrada franca.

Acho que cheguei a falar em algum dos posts, que não pretendia mais trabalhar com produção de shows, tem eventos que o prazer de trabalhar é muito maior, e este evento é um deles.

Equipe que trabalha em conjunto, em prol de um resultado perfeito. Envolvimento total de todos, muita dedicação coletiva, uma chefe incrível e que todos admiram, e o melhor de tudo é que no fim temos o reconhecimento do chefe pelo trabalho bem feito, algo praticamente raro no mundo do show business.

Produção de shows e eventos é uma profissão muito visceral, e se não for assim o produtor não agüenta, já que o ritmo é muito pesado. Este ano é meu 2º ano, no primeiro não fui para nenhum palco, fiquei na base (escritório) cuidando de toda logística de transporte junto com outra produtora. Quase enlouquecemos (Clarice e eu), horas e horas de trabalho árduo. Fomos ver um show mesmo somente no último dia do evento, mas quando chegamos lá num dos palcos e vimos que tudo havia corrido bem, sentimos um alívio enorme e uma sensação de trabalho cumprido com sucesso. Adoro isso!

Produção tem isso, quando vc vê que tudo está correndo ou correu de acordo com o que foi planejado, mesmo quando temos que lidar com imprevistos, a sensação é muito boa, dá uma segurança, é como se fosse um atestado de que vc realmente foi capaz.

Por falar em imprevisto, este ano as vésperas do início do evento, começou a chover muito na cidade “Maravilhosa” e isso foi o estopim de um verdadeiro quadro de calamidade pública, muitas pessoas morreram e a chuva não para de cair, já são 3 dias de chuva sem trégua. Horrível! Com isso, o Prefeito decidiu adiar o evento, em solidariedade as vítimas das enchentes e desabamentos que se espalham por toda cidade.

Com isso, eu estou voltando para Natal e vendo se consigo voltar no fim do mês para finalizar meu trabalho e ter minha satisfação garantida.


Viradão Carioca 2010, com chuva ou com sol, ainda é um grande evento. Nos vemos lá? Então até 23 de abril, com a benção de São Jorge. Salve Jorge!


29 de março de 2010

Início da Confraria à três

Foi dado início a confraria, e ela já tem nome, "Confraria à três". Nossas primeiras experiências tiveram um resultado muito bom.

Fizemos uma refeição completa com entrada, prato principal e sobremesa. Tivemos alguns amigos como convidados, ou melhor, como cobaias, além claro de minha mãe.

Nossos ingredientes eram: tomates (muitos e muitos), berinjelas, abobrinhas, alhos, cenouras, castanhas de caju, salsinhas, manjericão, folha de amora, uma peça de filé mignon, fetuttine, creme de leite fresco, curry, canela, cravo da índia, maçãs, farinha de trigo, vinho e sidra. Sei que havia dito que cada um traria um ingrediente, na verdade, essa quantidade não é obrigatória, o importante é que um não saiba o que o outro está trazendo.

Com todos os ingredientes expostos, começamos a incentivar nossas criatividades. Como estávamos em casa e era sábado, não seguimos a risca algumas das regras de uma cozinha profissional como:

- evitar conversas durante o trabalho, até porque isso é impossível com a Illana por perto, kkk!;

- não ouvir música, outra regra difícil de cumprir, já que todos os três tem uma ligação muito forte com a música;

- e por fim as nossas roupas eram bem leves e frescas, coisa totalmente contraria ao uniforme profissional.

Por falar em música, a deste fim de semana foi “Upside down” (Jack Johnson - http://www.youtube.com/watch?v=pNlmn7vbXBQ ), pois mesmo tocando outras coisas, essa música estava infiltrada na mente do Nesh, que não parou de cantarola-lá um minuto. Ainda bem que na cabeça dele só ficam músicas legais, porque se fosse na minha eles estavam correndo um sério risco de ouvir algo muito bizarro, do tipo “Trololóló” (http://www.youtube.com/watch?v=v1PBptSDIh8 ), depois que escutei isso não consigo pensar em outra música porque essa maldição não me dá trégua, culpa da minha amiga Andrea, mas enfim.

Vamos voltar aos pratos. Com todos os ingredientes ali na nossa frente, começamos a definir tudo que seria feito.

Para a entrada tomates recheados com ratatouille de berinjela com abobrinha e castanha de caju. Como prato principal tivemos duas opções, caso algum dos amigos não gostasse de carne ou se fosse vegetariano, primeiro um fetuttine à moda mediterrânea com muitos tomates e manjericão, uma delícia, aliás a comida mediterrânea é a especialidade de Illana, ela consegue fazer milagres com apenas tomate/ alho e azeite. A segunda opção de prato principal, ficou por minha conta, fiz um filé mignon com redução de vinho tinto e uvas rubi, acompanhado com um creme de cenoura. Modéstia parte tudo muito suculento. E de sobremesa meu amigo Nesh, fez uma trouxinha de maçã e canela com redução de sidra e purê de maçã, Huuuummmm! Estava divinamente deliciosa.

Todos os convidados comeram muito e saíram daqui de casa , com aquela cara de tristeza, que dá depois que comemos demais.

Foi um dia muito legal e poder cozinhar com duas pessoas tão adoradas é melhor ainda. Esse laboratório serviu também para nós três vermos o quanto temos sintonia, o quanto funcionamos bem juntos, e que o respeito e a admiração, que temos um pelo outro já está comprovada, além do espírito de equipe, todos se ajudam sem esperar solicitação. Resumindo um dia perfeito! Estou muito feliz com nosso início.


Se vc quiser ler outras opiniões sobre este assunto, entre nos blogs de Illana e Nesh, seguem os links: http://elpeperocino.blogspot.com/ , e, http://dolcepeperocino.blogspot.com/

Está aberta a Confraria à três, até a próxima!

Obs: todas as receitas que forem feitas em nossos laboratórios, serão postadas aqui e nos outros dois blogs.

27 de março de 2010

Confraria da comida

O que acontece quando um grupo de amigos se junta para conversar e cozinhar? Muita coisa legal pode acontecer. Muitas descobertas são feitas.
Neste fim de semana foi dado início a uma fase de grandes experiências entre amigos. Começou a Confraria da Comida, que talvez até mude de nome com o decorrer das coisas.



Encabeçam a “Confraria”, eu, que vcs já conhecem e meus dois queridos amigos, Illana Irina e Nesh. Ela uma doce e espevitada, garota natalense, antenada com o mundo moderno, cheia de idéias, dona de uma liberdade surreal e amante da enologia. Ele, um paraibano de João Pessoa, ou melhor Jampa, como ele gosta de chamar sua terra natal, um confeiteiro de mãos cheias, educado, inteligente, músico de Vialoncelo, que aprendeu com sua doce vozinha a arte de cozinhar.

Três inseparáveis amigos, com temperamentos diferentes, gostos diferentes, idades bem diferentes, objetivos diferentes, mas com uma coisa em comum, muita vontade de ir além dos limites gastronômicos.



Nosso combinado é que pelo menos quinzenalmente teremos que nos encontrar para fazer nossas tentativas culinárias. Cada um terá que trazer um ingrediente sem que os outros saibam o que é, e na hora que se encontrarem terão que criar algo com o que tem. Ou seja, tudo poderá acontecer.



Técnicas e teorias aprendidas na universidade serão aplicadas, pesquisas serão feitas e toda criatividade será usada em prol do aperfeiçoamento.

Vc que é leitor, pode interferir , criticar e dar sugestões. Tudo que acontecer em nosso laboratório, sensações, sentimentos, fracassos, vitórias e receitas, será relatado aqui para que todos possam fazer parte desses momentos.



Bem vindo ao mundo mágico dos alquimistas culinários¸ sinta-se em sua cozinha e bon appetit!

http://elpeperoncino.blogspot.com/

http://dolcepeperoncino.blogspot.com/

 

22 de março de 2010

Vida na estrada

Muitas pessoas acham que a vida de um artista e sua equipe é cheia de glamour, mas na verdade não é bem assim.
Em épocas de turnê a vida se torna uma grande doideira. Horas e horas de luta contra o cansaço. Equipes e artistas, muitas vezes vão dormir já com o dia amanhecendo, e geralmente após o café da manhã dos hotéis, que normalmente é a melhor refeição que fazem, uma espécie de “janfé”, uma mistura de jantar com café.


Na maioria das vezes o artista e sua equipe tem seu tempo todo cronometrado. Hora para embarcar em aviões ou ônibus, hora para passagem de som, hora para fazer show, hora para sair do hotel e por ai vai... As únicas coisas que não tem hora certa, são as refeições. As vezes não dá tempo para almoçar ou jantar, assim a equipe se vê obrigada a comer qualquer coisa em qualquer lugar, e como passam muitas horas no local do show, acabam tendo que comer nos camarins, mas isso claro, se o contratante for gente boa e cumprir à risca as exigências do rider (essa é uma relação com as necessidades que o artista e sua equipe tem para realização de um show, o rider pode ser de equipamento técnico ou também de comida e bebida) que a produção do artista envia para a organização do evento, mas quando se trata de um artista popular a produção do mesmo corre sérios risco do rider não ser cumprido, as vezes o próprio local de apresentação é precario.


Os fins de semana de um artista que tem agenda cheia, costumam começar nas quartas ou quintas-feiras e o normal é mudarem de cidade a cada dia. As vezes nem conseguem dormir nos hotéis ou até mesmo saber como é cidade que estão, já que para conseguirem cumprir o cronograma de montagem e apresentação é necessário uma certa correria. Quantas vezes viajei pernoitada de um show para outro, tendo que dormir mal dentro dos aviões, que muito devem saber o quanto são desconfortáveis. Quando tínhamos que viajar em ônibus leito fretado para a banda era mais tranqüilo pois podíamos dormir um pouco melhor que nas viagens aéreas. Mas quando as cidades eram muito distantes umas das outras, ai não tinha jeito, só os aviões mesmo.


De ônibus, nós comíamos nos restaurantes de beira de estrada, e nesse caso torcíamos para que fossem bons. Para errar menos procurávamos parar naqueles que estavam mais cheios, geralmente churrascarias. Quando desembarcávamos de avião, pedíamos referências aos produtores locais. Claro que isso acontecia apenas em cidades desconhecidas.


As equipes em sua maioria preferem comer em lugares mais econômicos, já os artistas comem em lugares um pouco mais caros.


É quase impossível lembrar de todos os lugares que comi nestes anos de estrada, mas tem alguns que ficaram guardados na minha memória gustativa, só de lembrar o sabor da comida fico com água na boca.


Em Vitória (ES), era quase obrigatório comer no Bar e Restaurante Pirão, lá comi a melhor moqueca de badejo da minha vida, ela chega à mesa borbulhando dentro de uma panela de barro que fica apoiada num suporte de ferro (tipo um tripé) criado pelo pai do proprietário, por falar nisso, além de comer muito bem temos a possibilidade de conversar com o dono do restaurante, Sr Hercílio “Pirão”, um senhor muito simpático e cheio de história, que recebe as pessoas como se estivesse servindo um jantar para amigos em sua residência.


São Paulo, capital gastronômica do país, é difícil comer mal, até o famoso PF (prato feito) na esquina do hotel que ficávamos na Rua Augusta era bom. Não há nada melhor do que sair de um trabalho na madrugada e poder fazer uma refeição legal, em Sampa isso não é problema, cidade que pulsa 24 horas sem parar. Existe um restaurante já bem conhecido dos boêmios que se chama Sujinho, este tem sede em vários lugares da cidade e qualquer escolha do cardápio é muito bem feita, tudo é muito gostoso, mas seu carro forte é a bisteca, incrivelmente suculenta. 


Já no DF, mais especificamente em Brasília, existem restaurantes bons, mas encontrávamos problema com os horário, por exemplo, nas segundas ninguém conseguia comer depois de uma certa hora, por não ter restaurantes funcionando, aliás isso acontece em muitos lugares do Brasil, principalmente quando se tratava de interior, no Norte e Nordeste também tínhamos este problema.


E era assim que íamos levando a vida na estrada, driblando as dificuldades e aprendendo a se virar com o que tinha, foram bons momentos apesar das noites mal dormidas e das refeições mal feitas. Aprendi muito e me orgulho por esse pedaço da minha vida. Acho que agora a ideia do glamour vai mudar para alguns, na verdade é tudo uma grande ralação e muitas vezes até um pouco sacrificante.


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Bar e Restaurante Pirão
- Rua Joaquim Lírio, 753, Triângulo das Bermudas , Praia do Canto, Vitória (ES)
Telefone (27) 3227-1165.
Funcionamento:
De segunda a sexta das 11 às 16 horas e das 18 às 23 horas 
Sábados e domingos das 11 às 17 horas.


Sujinho
- Av. Ipiranga, 1058:
Todos os dias das 11h30 à 1h da madrugada
- Rua da Consolação, 2063 - 2068 - 2078
Todos os dias das 11h30 à 5h da madrugada

sujinho@sujinho.com.br



9 de março de 2010

Letras da Música - Feijoada Completa (Chico Buarque)

Só para confirmar o que falei sobre a música do Chico Buarque, e caso alguém não lembre da música toda, ai vai a letra dela.

Feijoada Completa 
(Chico Buarque)

Mulher
Você vai gostar
Tô levando uns amigos pra conversar
Eles vão com uma fome que nem me contem
Eles vão com uma sede de anteontem
Salta cerveja estupidamente gelada prum batalhão
E vamos botar água no feijão


Mulher
Não vá se afobar
Não tem que pôr a mesa, nem dá lugar
Ponha os pratos no chão, e o chão tá posto
E prepare as lingüiças pro tira-gosto
Uca, açúcar, cumbuca de gelo e limão
E vamos botar água no feijão


Mulher
Você vai fritar
Um montão de torresmo pra acompanhar
Arroz branco, farofa e a malagueta
A laranja-bahia ou da seleta
Joga o paio, carne seca, toucinho no caldeirão
E vamos botar água no feijão


Mulher
Depois de salgar
Faça um bom refogado, que é pra engrossar
Aproveite a gordura da frigideira
Pra melhor temperar a couve mineira
Diz que tá dura, pendura a fatura no nosso irmão
E vamos botar água no feijão

Mixagem gastronômica

Cresci ao som de música, tanto por parte da minha mãe quanto dos meus avós. Quando criança brincava com meus vizinhos de compor letras de músicas, mas, graças à Deus, isso não foi adiante, as composições eram muito ruins. E já adulta fui trabalhar justamente com música, ou seja, esse vício sonoro me acompanha desde sempre. Daí, agora, fazendo gastronomia, comecei a me dar conta de quanta gente já cantou ou compôs sobre comida. Vc já parou pra pensar que o tema "comida" está em toda parte e que na música ele é muito forte?

Da infância, lembro-me do musical infantil "Plunct Plact Zum", no qual o Jô Soares rodeado de balas, bolos e pirulitos gigantes, cantava "doce, doce, viver num planeta doce...". Era difícil não ficar com vontade de estar ali com ele na maior farra do açúcar. Depois, lembro-me da minha avó ouvindo o "lindinho", pois era assim que ela chamava o Chico Buarque de Holanda, cantando "Feijoada Completa", onde além de abusar da boa vontade da amada, levando um monte de cachaceiros para comer de última hora, ele ainda dá uma de mestre cuca dizendo como ela deveria fazer o prato. Cara de pau!

As mulheres que tem paranóia de engordar deviam ficar p... da vida quando escutavam a magérrima Marisa Monte, cantar que só queria chocolate e que não adiantava levar um guaraná porque ela só queria o tal chocolate. Tudo bem que o sentido não é bem esse, mas não sou eu quem vai dar o certo. Já os rebeldes Titãs, defendiam a tese de que não precisavam só de comida, mas também de diversão e arte. Aliás, sobre esses temas irei falar em algum momento.

E para fechar com chave de ouro a orgia gastronômica, não poderia faltar o ritmo mais brasileiro de todos: o samba. Sempre que há uma roda de samba entre amigos também há uma boa e animada comilança, onde os pratos preferidos são: Churrasco, feijoada, bobó de camarão, cozido e por ai vai. Só comida "light". E nesse caso, ninguém melhor que Zeca Pagodinho para cantar essa constatação, "Camarão que dorme a onde leva" ou "Bagaço da laranja".

Vamos observar o que virá pela frente, espero que os compositores continuem muito criativos.

É isso ai, não tem jeito, no final tudo acaba tendo alguma ligação gastronômica. Valeu, até a próxima.
Aqui estão algumas das que lembrei, se vc lembrar de mais alguma me manda:
- A preta do acarajé - com Gal Costa
- Feijoada completa - Chico Buarque de Holanda
- Vatapá - Dorival Caymmi
- Torresmo à milanesa - Adoniram Barbosa
- Feijão maravilha - com as Frenéticas
- Café com pão - Nana Caymmi
- Pirão de peixe com pimenta - Sá e Guarabyra
- Doce de coco - com Jane Duboc
- Brasil pandeiro - Assis Valente
- O rancho da goiabada - João Bosco
- Linha de passe - João Bosco
- Viagem maravilhosa - Antônio Nobrega
- Farinha - Djavan
- Song of the shrimp - Elvis Presley
- Chocolate - Tim Maia (gravado por Marisa Monte)
- All you can eat - Fat Boys
- Chocolate buttermilk - Kool & tha Gang
- Banana juice - The Mar-keys
- Vegetables - The Beach Boys
- Egg Man - The Beastie Boys
- Ice cream - Wu-Tang Clan
- Heinz baked beans - The Who

7 de março de 2010

Aprendiz de feiticeiro

É já não postava nada a um tempinho, acho que estava sem assunto e estas duas últimas semanas foram de readaptação à minha vida nordestina, além das aulas terem começado. Aliás, falando em aula, começaremos a ter disciplinas práticas nos laboratórios da universidade. Estou muito curiosa para descobrir como serão essas matérias. Na época do Senac, as aulas práticas eram bem legais e como na universidade são mais complexas, imagino que sejam muito mais bacanas.

Uma dessas matérias será Tecnologia dos Alimentos, que nos ensinará a mexer com a alquímia dos alimentos, " bruxaria pura", kkk...

As vezes acho que todos os bruxos e bruxas das fábulas, no fundo, nada mais eram do que grandes cozinheiros. Afinal de contas para que um caldeirão tão grande, colher de pau, unhas sem fazer, abóboras decoradas, livros e mais livros de receitas mirabolantes, maçãs envenenadas, muitos temperos e a necessidade de sempre estar mexendo o que há dentro do caldeirão? Eles também faziam iguarias usando partes de animais, lembram? Asas de morcego, patas de aranha e por ai vai.
Está me achando maluca? kkk! No fundo acho que sou. As vezes tenho essas viagens. Liga não!

Mas falando sério, acho isso muito legal: aprender como mexer quimicamente com um alimento, entender a importância da temperatura para aumentar a conservação de cada alimento, sem perder muitos nutrientes.

Ao mesmo tempo que acho essa história de alteração química muito legal, também acho um tanto complicado quando lembro que hoje em dia grandes chefs estão defendendo o crescimento do movimento Slow Food em todo mundo.

O Slow Food é uma associação internacional sem fins lucrativos, criada justamente para tentar diminuir o crescimento frenético dos restaurantes e lanchonetes de comida Fast Food, aliado juntamente com a Ecogastronomia, restitui ao alimento sua dignidade cultural, favorece a sensibilidade do gosto e luta pela preservação e uso sustentável da biodiversidade. Protege espécies vegetais e raças animais, contribuindo com a defesa do meio ambiente, da cozinha típica regional, dos produtos saborosos e do prazer da alimentação. O movimento Slow Food vem para encorajar os chefs a usar ainda mais os produtos regionais e tradicionais.

Segundo o movimento Slow Food, " o prazer de saborear boa comida e bebida de qualidade deve ser combinado com o esforço para salvar os inúmeros produtos alimentícios que correm perigo de desaparecer, devido ao predomínio das refeições rápidas e ao agronegócio industrial".

Temos que nos conscientizar que se cada um fizer sua parte tudo se torna melhor. Na hora de fazer o molho do macarrão não use os extratos, purês e etc de tomate industrializados, use o próprio fruto e perca um tempinho maior no fogão. Pode ter certeza que será muito mais saboroso e prazeroso no final.


3 de março de 2010

Doubt

                                                       

Será que as pessoas que tem blogs precisam escrever sempre coisas incríveis? Acordei pensando nisso...

Vida sem glúten

O número de pessoas que está descobrindo que não pode mais comer nada que contenha glúten é muito alto. Sabemos o quanto é difícil dei...