28 de fevereiro de 2010

Delícias de fim de semana

Fim de semana gastrônomico em casa. Sábado bacalhau, aquele que fiz no Rio (Zé do Pipo), não dizem que só chegamos a perfeição na cozinha após muitas repetições? Então, repeti ele mais uma vez, e hoje foi a vez da minha mãe ir para cozinha, ela fez um camarão a Tahiti, uma delícia, leva uvas verdes, abacaxi e curry; Huuuuuuummm! Muito bom, adoro a combinação sal e doce.

Para os que apreciam um bom vinho, os dois dias foram regados a vinho tinto. Vou ficar devendo os nomes. Ainda não aprendi a tomar vinho, isso é ruim, principalmente fazendo gastronomia, não é que eu não goste, mas prefiro os suaves. Mas irei adestrar meu paladar.

Bom fim de domingo.

15 de fevereiro de 2010

Espírito carnavalesco

Definitivamente não nasci para o carnaval. Antes ficava preocupada achando que o problema era só comigo, ficava louca quando via quase todos a minha volta anciosos para essa data festiva chegar, enquanto eu, doida para que acabasse logo. Hoje fico mais tranquila com relação a isso, pois achei alguns amigos que também pensam mais ou menos como eu.

Esse ano quando decidi passar as férias no Rio tentei vir bem empolgada, mas não deu certo, continuo achando essa coisa de seguir blocos e multidões muito chato e desgastante. Algumas de minhas amigas são completamente integradas na programação carnavalesca e todos os dias vão a mais ou menos 3 blocos, sendo que a maioria começa sua concentração entre 7 hs e 9 hs da manhã, perai! Não há condições, será que elas esquecem em que cidade moram? O Rio tem feito um calor infernal, onde o stermometros marcam 40º e a "tal" sensação térmica é de 52º.

Como eu, uma pessoa que transpira até sem fazer esforço, pode prefirir ir a bloco carnavalesco ao invês de ir à praia? Como posso achar bom ir a bloco onde grande parte das pessoas estão bebadas? Como ir a bloco onde a maioria só está preocupada em perder a linha, se agarrar e beijar o maior número de boca que conseguir? Como ir a bloco onde um monte de gente suada fica se esbarrando e grudando? Mas o pior são os repertórios repetivivos com marchinhas do tempo da minha bisa, queria entender o que acontece, será que não existem mais compositores criativos ou são os blocos que não aceitam renovação?

É! Podem me chamar de enjoada, crítica, chata ou mal humorada, posso até estar generalizando, mas para mim não dá, não tenho saco, e olha que trabalhei com samba muito tempo e já passei carnaval em vários lugares diferentes, não falo só do Rio.

Acho engraçado quando ouço as pessoas falarem: " Nesse carnaval vou chutar o balde!" ou " Vou pegar um monte de mulher (ou homens), beijar várias bocas", na minha opinião essas pessoas são incompetentes, por que não chutar o balde o ano todo? será que essa pessoa não pega ninguém durante o ano todo? por que só no carnaval? Só pode ser falta de assunto, vai ler um pouco mais para que a criatividade aumente.

O que tem no carnaval que as pessoas se liberam tanto? Deve ser a coisa da fantasia, isso deve mexer com as pessoas, mas mesmo assim continuo achando uma grande desculpa para quem não tem coragem de assumir o que realmente é.

Outra coisa muito importante é o cheiro de xixi que fica nas ruas, poxa mesmo com vários banheiros químicos e campanhas para que os mais deseducados não usem as vias públicas para se aliviar, a cidade vira um grande miquitório, um fedor insupotável.

Sei não, acho tudo isso muito cansativo e não tenho espírito carnavalesco. E vou continuar tentando entender esse universo, quem sabe até o ano que vem eu tenho uma resposta?

Bom "Carnaval" !

10 de fevereiro de 2010

Sonoramente feliz

Ontem realizei um dos meus prazeres sonoros, a convite de uma amiga, fomos aos estúdios da rádio Mania FM (rádio via satélite com sede no Rio) para assistir a apresentação de um cara que na minha humilde opinião, é um dos grandes nomes da nossa música, SEU JORGE.

Além de estasiada com sua bela voz, cada vez que o encontro tenho mais adimiração por sua pessoa.

Um artista de projeção mundial, um dos cachês mais altos do show business brasileiro, mas que não se deixa levar pelo deslumbramento do mundo da música, sua simplicidade é digna de aplausos. Um homem inteligente, bem humorado, com uma história de muitas dificuldades, muita luta e com um  talento abençoado, que aprendeu com a vida que não devemos criar expectativas quando não sabemos lidar com as decepções. O que hoje em dia é tão difícil, vemos tantos artistas relâmpagos que mal aparecem e já se acham os mais importantes e cheios de arrogância.

Músico de verdade não precisa de muito apetrechos, acompanhado por um pandeiro, um cavaco, um tantã e um baixo, Seu Jorge fez 2 incríveis horas de  apresentação.

Bato palmas de pé para Seu Jorge e preciso realizar mais um desejo com relação a ele, assistir um de seus shows completo, pois mesmo trabalhando com música tanto tempo nunca consegui assistir a uma de suas apresentações por sempre estar viajando com outros artistas.

Pena que não tenha nenhum show programado para este período que estou aqui no Rio e acho que em Natal ele não deve ir tão cedo.

Realmente ontem foi íncrível, obrigada amiga pelo convite.

3 de fevereiro de 2010

Desafios amigáveis

Amigos são engraçados, eles nos testam o tempo todo. Testam nosso caráter no início da amizade, testam nossa lealdade, testam o quanto sentimos falta deles, o quanto os amamos, enfim testam tudo, mas mesmo assim continuam sendo nossos amigos.

Depois que comecei a estudar gastronomia, sinto que os testes aumentaram, como tenho muitos amigos, agora sou testada o tempo todo na cozinha, todos querem saber se realmente sei cozinhar e se minha comida é boa, não que isso me incomode, mas tem momentos que fico tensa.

Estou de férias no Rio e desde do dia que cheguei já foram solicitados vários almoços, se dependesse dos meus amigos eu não sairia mais da cozinha, só que consigo driblar um daqui e escapo de outro ali, senão não faço mais nada, mas claro que vou tentar fazer o máximo que puder. As vezes me pergunto se eles estão com saudades de mim mesmo.

Esta semana tive um teste bem tenso, estou hospedada na casa de uma grande amiga e o marido dela é louco por bacalhau, mais especificamente bacalhau a Zé do Pipo, daí ela que estava com o congelador cheio de lombos de bacalhau pediu para que eu fizesse o prato para o esposo. Como eu poderia negar? De jeito nenhum, e mesmo sem nunca ter feito resolvi encarar o desafio.

Primeiro procurar a receita ideal, sendo que para isso li umas 15 diferentes, daí fui vendo o que elas tinham em comum até chegar naquela que seria a escolhida. Antes bastava apenas uma ligação para minha mãe ou minha avó (esta já não tenho mais como recorrer), mas agora depois de entrar na faculdade tenho que aprender a escolher sozinha e continuei me dedicando. No dia que decidimos fazer o prato, fui no mercado comprar todos os ingredientes necessários com todo cuidado. Acho que a parte das compras serve como um ritual de concentração.

Quando entrei na cozinha liguei o som para diminuir a tensão e assim me entregar completamente aquele momento. E comecei o processo.

Conforme as etapas iam passando eu sentia que o momento mais difícil estava pra chegar, quando eles iriam comer, mas tudo bem, afinal tudo estava indo bem e eu havia avisado que nunca tinha feito aquele prato antes e que eles seriam minhas cobaias.

Minutos depois quando o prato saiu do forno e o coloquei na mesa onde todos aguardavam, comecei a suar frio, é engraçado, mesmo vc sabendo que fez tudo conforme manda o figurino existe um medo e uma insegurança de que alguma coisa não esta correta.

Tenho um problema, quando faço um prato sou a última a provar, só consigo comer depois que todos provam, porque assim vejo suas reações. E com o Bacalhau a Zé do Pipo não foi diferente. Não me preocupava muito com minha amiga, mas sim com seu marido, afinal ele era o responsável por toda minha tensão. E fiquei olhando pra ele fixamente enquanto ele levava o garfo até a boca, mas para meu desespero ele só deu o veredito depois da terceira garfada, e ufaaaaaaaaaa! Que alívio, tudo certo, ele aprovou e gostou tanto que repetiu 3 vezes.

São esses momentos que me fazem gostar de cozinhar cada vez mais, me dá prazer saber que as pessoas gostam do que faço, acho que é a maior recompensa.

Amigos obrigada por confiarem em mim.

Bon appétit!


 



Adaptação constatada

Sete meses se passaram após me mudar para Natal e vejo que me adaptei muito bem na vida nova, mas claro que sinto falta de muitas coisas que faziam parte do meu dia a dia na cidade maravilhosa. Alguns lugares, cheiros, visões, sabores, barulhos, amigos, diversões.

Ver a lagoa Rodrigo de Freitas ao sair do túnel Rebouças é lindo, o pôr do sol em Ipanema, o banho de mar na reserva do Recreio, pisar nas areias das praias do Rio é muito diferente de pisar nas praias do Rio Grande do Norte. Comer um cuscuz branco na praia, tomar mate leão com suco de limão (do tambor) e comer biscoito globo, vc só consegue no Rio. O som do funk que ronda a cidade, o samba do subúrbio, os ensaios das escolas de samba, as festas de música Black e reggae que só os cariocas sabem fazer.


Com tantas coisas legais achei que fosse chegar no Rio eufórica para fazer tudo e na verdade isso não aconteceu, cheguei devagar e com muita vontade de matar a saudade das pessoas que gosto, claro que ir a praia e outros lugares são programas legais, só que não tenho feito esforço para estar nos lugares, mas sim com as pessoas. Acho que o deslumbramento pelo Rio esta acabando, não que eu tenha deixado de gostar daqui, não é isso, mas já não me deixo levar pelas ofertas e sim pelas coisas mais concretas.

Estando aqui pude avaliar melhor minha vida nordestina e vejo que estou bem. Tenho uma vida tranqüila com muita qualidade, num lugar lindo e paradisíaco, onde se come maravilhosamente bem, não temos cuscuz e biscoito globo, mas temos caranguejos, camarões, lagostas, peixes, frutas incríveis. Praias praticamente desertas com água morna o ano todo, e além de tudo não existe o frio. O calor é abrandado com o vento constante.

Aprendi que na vida sempre fazemos substituições e quando aprendemos a dar valor a elas, ai sim vivemos muito melhor em qualquer lugar. Criei objetivos que antes não conseguia ter por precisar sobreviver na cidade maravilhosa, agora consigo dar início a um dos grandes sonhos de minha vida e quero ir até o fim, não serão as maravilhas do Rio que irão me tirar do foco.



Mudanças



Vida nova! As vezes ficamos com medo de mudanças, principalmente quando estas são de lugar, parece que dá um vazio no interior do corpo, um vácuo assustador. E tudo por não sabermos o que irá acontecer, por não saber como será está adaptação.

Foi muito difícil decidir sair do Rio e ir morar em Natal, até porque eu já havia residido na mesma por duas vezes e sabia exatamente quais seriam minhas dificuldades iniciais e não tinha a certeza se queria tentar novamente, mas a vontade de mudar de profissão falou mais alto, e decidi trocar a produção pela gastronomia e posso dizer, após 7 meses, que não me arrependo, estou adorando.

É um período de muitas descobertas, culinárias diferentes, técnicas diferentes e apuradas, sabores incrível.

Não há programa melhor do que um jantar com amigos, boa bebida e boa comida, além de horas de conversa, na minha humilde opinião é um dos melhores programas.

Uma vez ouvi uma professora da universidade dizer que a gastronomia aproxima as pessoas e cria laços, acho isso a mais pura verdade. Depois que entrei na universidade em Natal, conheci pessoas incríveis (claro que já conheci pessoas incríveis em outros lugares também, não é isso) e passamos muitas horas conversando sobre comida de uma forma muito construtiva sem ser cansativo. Pessoas com objetivos parecidos e outras com idéias completamente diferentes, mas com uma coisa em comum, a gastronomia. Todas trazem suas experiências e truques, uma verdadeira troca de feitiços.

Vida sem glúten

O número de pessoas que está descobrindo que não pode mais comer nada que contenha glúten é muito alto. Sabemos o quanto é difícil dei...